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Mina da Passagem: Imagine Você não Perdendo Nada

Foto da Mina da Passagem na cidade de Mariana a 3 km de Ouro Preto.
Mina da Passagem-Foto: Leandro Neumann

Mina da Passagem localizada a 13 km de Ouro Preto na cidade de Mariana/MG é a maior mina de ouro desativada aberta a visitação no mundo.

Encanta pela história e curiosidades. Dentro da mina tem lagos, ouro de tolo, tudo explicado por um guia.  

A descida do carrinho dura em média 3 minutos onde atinge 120 metros de profundidade percorrendo 315 metros de distância.

Mina da Passagem: Totalmente Diferente das Minas de Ouro Preto

A exploração da Mina começa em 1719 pelos portugueses usando trabalho escravo, na superfície.

Acostumados a tirarem ouro em forma de pepitas eles não tinham tecnologia para explorar ouro em pó usando mão de obra escrava.

O ouro da Mina da Passagem precisava de técnicas específicas para ser explorado.

Portugal não sabia fazer isso, acabou explorando a mina somente por 8 anos.

Durante esse período a exploração de ouro na Mina da Passagem foi realizado na superfície.

O ouro extraído em Ouro Preto era em forma de pepitas, quase puro.

Usavam um método arcaico cavando buracos em rochas a base de mão de obra escrava.

Esse tipo de ouro da antiga Vila Rica formava veio ( veias ) e os escravos iam escavando até o veio terminar.

Mina da Passagem: Seu ouro era em pó.

Pepitas de ouro somente nas águas dos rios e nos altos das montanhas.

Na profundidade o ouro somente pode ser explorado e extraído na forma de pó.

Portugal Não Teve Tecnologia Para Explorar a Mina da Passagem

Portugal engasgou nesse quesito, não sabia fazer beneficiamento de ouro em pó, a mão de obra escrava começou ficar inviável.

O ouro da Mina da Passagem precisava de técnicas, com isso Portugal começou a desanimar.

A exploração do ouro em pó precisa ser retirada de rochas dinamitadas.

Os portugueses até que tentaram, colocavam os escravos para quebrar as rochas.

Depois essas rochas eram encaminhadas para moinhos tudo de forma artesanal, depois de moído era extraído na bateia.

Era um processo de trituração, decantação e o processo químico da fundição.

Os escravos nem chegaram a fazer túneis na Mina da Passagem tudo acontecia na superfície.

Foi insignificante a quantidade de ouro que os portugueses tiraram no início da exploração da Mina, foram importantes na descoberta.

Ouro tinha muito só não tinha máquinas.

Para Explorar a Mina Precisava de Máquinas não de Escravos

Tinha que ter maquinário, o ombro dos escravos não funcionava para esse tipo de exploração de ouro.  

Mesmo sendo na superfície o entulho era transportado por eles em baldes, sacos e sacolas etc.

Nos moinhos os pedaços das rochas eram moídos, difícil tudo feito de forma manual.

Houve muito sofrimento na mina como em outras.

Todo material extraído era na base da picareta sem contar a força colocadas nos moinhos para transformar essas pedras em pó.

Nas minas de ouro preto a sondagem do ouro era basicamente feita por escavação de vários pontos, se achasse o mineral Quartzo leitoso era sinal de ouro.

Quanto os escravos batiam a picareta e encontrava Quartzo Leitoso era sinal de ouro.

Achando e veio era só acompanhá-lo até o ouro.

Chegava uma hora que esse veio se esgotava era a morte da mina.

Portugal Endividado Com os Ingleses e sem Tecnologia Vende Mina

Inglaterra tomando conhecimento do potencial da Mina da Passagem comprou a mina e trouxe toda maquinaria.

Eles cederam o espaço para os ingleses por cem anos, o contrato seria tudo que os ingleses retirassem nesse período abateria na dívida.

Os ingleses exploraram a mina de 1827 a a 1927 onde foram registrados 35 toneladas de ouro retirado.

Quando colocaram a mina a venda houve certo interesse do governo federal, desistiram.

Os ingleses tinham tecnologia e acabaram com o trabalho escravo implantando o trabalho assalariado.

Desde a Revolução Industrial a Inglaterra já tinha aderido ao trabalho assalariado e na Mina da Passagem não foi diferente.

Um contraste: Em Ouro Preto continuava o trabalho escravo e na Mina da Passagem o trabalho assalariado.

Qual tecnologia foi usada pela Inglaterra para retirar o ouro da Mina da Passagem:

  • Perfuratriz maquinário inglês onde perfurava a rocha para introduzir a dinamite.
  • Depois de dinamitadas as rochas eram transportadas para superfície com pequenos vagões sobre trilhos.
  • Em pilões pneumáticos era moído o material.
  • A decantação era feita em mesas vibratórias.
  • O processo químico de fundição era semelhante ao processo artesanal.
  • A Separação era feita por decantação.

De quais minerais eram extraído ouro:

  • Calcita.
  • Quartzo Leitoso.
  • Magnito.
  • Minério de Ferro.

No interior da mina é comum ver nas rochas um material que brilha como ouro chamado de Pirita (sulfeto de ferro) conhecido ouro de tolo.

A dinamitação era tão bem feita que não há registro de acidentes na mina.

Depois de 100 anos de exploração, Ingleses vendem a Mina

Família dona de bancos em minas Gerais, onde se destaca o banqueiro Ricardo Guimarães dono do banco BMG.

Hoje a mina pertence a família Rodrigues que foi desativada em 1985.

Mina da Passagem é um nome fantasia atualmente.

A empresa que detém os direitos de exploração turística é a Nossa Senhora de Caravaggio Empreendimentos Ltda.

Que não deve ser confundida com a Cia. Minas da Passagem, pessoa jurídica de terceiros.

Vários fatores contribuíram para o fim da exploração do ouro na Mina da Passagem.

Entre eles as novas leis ambientais e a pequena quantidade de ouro encontrada.

A exploração de ouro em pó é baseada na porcentagem de ouro encontrada em 1 tonelada de minerais triturados.

No início da mina eram extraídos até 8 gramas de ouro, no fim do ciclo caiu para 4 gramas aproximadamente.

Foi quando os donos acharam que era mais viável explorar turisticamente a mina em vez de extrair ouro.

Hoje o ouro da mina são os turistas que se encantam com ela.  

O ouro retirado da mina durante cem anos saiu de onze quilômetros de galerias.

Atualmente a exploração moderna de ouro em Minas Gerais acontece em Santa Bárbara e Nova Lima explorado pela empresa Gold Anglo.

Essas empresas extraem o metal na média de 3 g por tonelada, compensa pela tecnologia, que acaba barateando a mão de obra.

Passeio ao Interior da Mina da Passagem de Ouro Preto?

Para conhecer o interior da mina o turista viaja em vagões sentado em banquinhos o Troller.

São trezentos e quinze metros de viagem até profundidade de 120 metros equivalente a um prédio de trinta anadares.

A descida dura menos de três minutos e a sensação é de estar numa montanha russa.

A mina é muito mais profunda do que cento e vinte metros, sua profundidade é de mil trezentos e quarenta metros com 450 metros de profundidade.

Pode até fazer uma conta 1340 m de extensão menos 315 metros = 1025 metros submersa pelo lençol freático e águas da superfície.

450 m menos 240 m = 210 da mina está submersa pelas lagoas.

Chegando o turista sente um ambiente parecido com ar condicionado.

Nada de gelo, a temperatura é estável o ano inteiro variando entre 17 e 20 graus.

São onze quilômetros quadrados de galerias, a Mina começou funcionar como atração turística em 1976.

Os túneis e os salões impressionam, monitores guiam os visitantes falando sobre as curiosidades da mineração.

O passeio vale a pena, além da cultura o turista fica conhecendo coisas diferentes e como faziam para explorar ouro.

Como Funciona o Carrinho Que Leva os Turistas ao Interior da Mina?

Tem uma composição movida ar que controla o movimento do carrinho conhecido como troller até o interior da mina.

Parece um submarino que segura o ar o carrinho desce, depois solta o carrinho sobe e tem um funcionário que vai controlando a descida do carrinho.

As pessoas descem ele para daí a pouco ele volta subindo tudo muito seguro.

Lagos Submersos

Uma das atrações que mais encantam são os lagos formado pelo lençol freático e por pequenas infiltrações que vem do solo é um cenário deslumbrante.

No interior da mina foram formados diversos lagos com água vindo do lençol freático e da superfície.

A água é límpida e transparente com uma coloração azul por causa dos metais.

Nesse processo de inundação foi sugando alguns minerais pesados como o arsênio.

Quando funcionava tinha uma bomba gigante que bombeava água para superfície.

Tem um lago que chama atenção, possui duzentos e quarenta metros de profundidade.

Muito usado para prática de mergulho, esse tipo de visita precisa ser agendada.

É comum ouvir dos visitantes expressões: ” Muito legal”, ” parece de filme”.

Esses lagos inundados subiram seu curso natural inundando as galerias.

Não existe vida nos lagos da Mina da Passagem por causa da acidez provocada pelos metais pesados.

Pode Tomar a Água da Mina da Passagem?

Não pode, não significa que se tomar um copo a pessoa vai cair morto.

A água da mina além de ser ácida é rica em minerais tipo arsênio usado na fabricação do veneno Arsênico.

Pequeno Altar com a Imagem de Santa Bárbara  

Em um dos corredores o visitante encontra uma imagem de Santa Bárbara protetora dos mineiros.

Nas profundezas da mina o turista vai deparar com a imagem de uma santa toda decorada de perfumes, batons etc.

Santa Bárbara é quem protege pessoas oriundas de trabalho de periculosidade, associado também a raios, tempestades e trovões.

Nessa fusão religiosa era associada a inhasã que por ser um orixá muito vaidosa.

Na mina é muito comum ver as oferendas de batom, perfumes oferendadas a Santa Bárbara toda enfeitada.

Qual Profundidade Começa o Processo de Inundação

Após chegar 120 metros de profundidade começa a inundação, são 240 metros de profundidade inundado.

Continuando o passeio observa a presença túneis e amplos salões com poços de água cristalinas.  

É Possível Algum Visitante Encontrar Uma Pepita de Ouro?

Existe um ditado que diz “Que nem tudo que reluz é ouro”.

Nas paredes da mina tem um mineral dourado que confunde com ouro chamado Pirita.

Muitos turistas acham que é ouro, alegria dura pouco é ouro de tolo.

Para diferenciar Pirita do ouro verdadeiro sem usar método químico basta fazer o processo de decantação.

Ouro só brilha depois de polido, a Pirita já tem seu brilho natural.

A expressão ” ouro de tolo” tem origem da seguinte forma:

Parecido com ouro, quando uma pessoa achava esse mineral, escondia no cabelo, atrás da unha etc.

Chegando na superfície quando tentavam vender era Pirita daí o nome ouro de tolo.

Pra separar ouro de Pirita usa o método de decantação ou densidade.

Como a densidade do ouro é maior vai para o fundo e a Pirita flutua.

A História do Capitão Jack

Segundo a história o Capitão Jack é que ficava a frente dos trabalhadores fazendo o papel de um técnico de segurança.

Durante uma explosão ninguém sabe o que deu errado, rochas cederam e caíram em cima desse segurança que acabou morrendo.

De vez em quando ele puxa o cabelo de alguma pessoa, diz que fica na mina para mostrar o caminho do ouro.

Outros dizem que o capitão Jack está perdido na mina e veio pegar a parte dele do ouro.

Um geólogo afirma ter testemunhado aparições do cavaleiro inglês na mina.

A lenda diz que capitão Jack veste todo de branco com botas e capa, passa cavalgando disparando luzes prateadas.

Segundo o geólogo por diversas vezes o sistema de iluminação falha, num desses episódios naquela escuridão senti um vento passando e alguém apertando meu braço.

Depois comentando com as pessoas, os mais velhos também contam que o capitão Jack passou por ali.

Um rapaz que trabalhou como guia também considera o local mal assombrado.

Afirma que começou a escutar passos por traz dele e do seu colega de trabalho.

De repente começamos ouvir os sinos tocarem, saímos correndo.

Explicação Como o Ouro Foi Tirado

Ultima parada após sair do interior da mina é um local onde tem um guia que mostra como o ouro era explorado.

Prática de Mergulho

A mina oferece prática de mergulho em cavernas basta agendar com antecedência.

Segundo os mergulhadores só conseguem ver a água quando toca nela ou chega bem perto.

Também afirmam que só enxergam água quando faz bolhas, a sensação é de estar mergulhando no ar.

Foi uma verdadeira aventura o passeio nas profundezas da terra.

Quando Portugal não teve tecnologia para explorar ouro em pó a Inglaterra sempre na frente não perdeu tempo.

Dominando a exploração mecanizada compraram a mina e explorou por muitos anos.

Dentro da mina pôde sentir a aventura com muita adrenalina.

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Como Chegar na Mina da Passagem do Centro de Ouro Preto?

De Carro

Quem vem de carro até o distrito de Passagem de Mariana a 5 km de Ouro Preto basta seguir as placas.

Chegando ao distrito é só estacionar, estacionamento enorme próximo a recepção da mina.

De Ônibus

Outra opção é pegar o ônibus lotação Ouro Preto/Mariana e pedir o motorista para parar no ponto da Mina da Passagem.

Quem estiver em Mariana faça o mesmo

Quais São as Atrações Fora da Mina da Passagem?

Museu da Mina

A mina possui um pequeno museu com várias peças que mostram acessórios utilizados na época da exploração.

Máquina que Passava Filmes para Os Funcionários

Chama bastante atenção é uma máquina que passava filmes para os funcionários na época.

Bomba Gigante Que Tirava Água de Dentro da Mina

Quando a escavação chegou ao lençol freático na época trouxeram uma grande bomba para bombear a água para fora da mina

Quando as bombas pararam mais de 30 km da mina foi inundada transformando num imenso lago com águas cristalinas.

*Mineral Pirita é muito   semelhante ao ouro, para separar sem usar nenhum método químico usa a densidade.

Como o ouro é mais pesado ele vai para o fundo separando do pirita.

Nos filmes faroestes era muito comum o ator ou atriz morder a moeda para ter certeza que era ouro.

Se fizer uma comparação das peças que os escravos tiravam ouro nas minas de Ouro Preto expostas no Museu da Inconfidência com as máquinas da Mina da Passagem.

Dá para entender a evolução da tecnologia inglesa na exploração do ouro naquela época.

Mata Nativa

Mata nativa com cachoeiras.

Mirante

Visitantes sobem até um mirante para ver a paisagem, Rio do Carmo e a cachoeira.

Quanto Paga Para Visitar a Mina da Passagem

  • Entrada inteira: R$ 112,00
  • Crianças de seis anos a doze anos: R$44,00
  • Crianças de zero a cinco anos não paga.
  • Meia R$ 44,00, estudantes do ensino médio apresentando carteira escolar ou declaração da escola.
  • Também paga meia entrada idosos brasileiros acima dos sessenta anos apresentando documentos comprobatórios.
  • Crianças até seis anos mediante certidão de nascimento ou RG não paga.
  • Só aceita uma forma de pagamento que é dinheiro, não aceita nenhum tipo de cartão de crédito.
  • Horários de funcionamento: todos os dias das 9 às 17 horas.
  • Endereço: Rua Eugênio Eduardo Rapallo, s/n, Passagem De Mariana – Mariana Telefone: (31)3557-5000.
  • Quem faz a visita além da cultura conhecem um cenário inédito e entende como faziam para explorar ouro.
  • Mina da Passagem é maior mina de ouro aberta para visitação no mundo, por 60 anos foi explorada.
  • Nos últimos anos 58 anos de exploração da mina   foram retirados cerca de 35 toneladas do metal.

Horário de Funcionamento da Mina

Horário de funcionamento:

  • Todos os dias, das 09:00 às 17:00 h.
  • Duração do passeio: cerca de 45 minutos.

História da Mina de Passagem

Está registrado no documentário ” A Mineração no Brasil ” do autor Darcy José Germany ( Secretaria Técnica do Fundo Setorial Mineral ).

Centro de Gestão Estudos Estratégicos, Ciência, Tecnologia e Inovação.

Relatório Final, Engenheiro Darcy José Germany , Rio de Janeiro maio de 2002

As lavra de ouro mais sofisticada no Brasil no século XVIII foi a Mina da Passagem trazida pelo Barão de Echewege. 

Livro ” A Construção da Liberdade ” Fala Sobre a Importância da Mina da Passagem

A importância da Mina da Passagem na história pode ser revelada no recente livro “ A Construção da Liberdade “ da escritora Marileide Lázara Cassoli , editora Paco  Editorial 14 de abril de 2017, 356 páginas.

Leia a fala “ Ainda buscando pelo tesouro perdido, conduzi-me a Mina de Passagem de Mariana.

Deixo registrado meus agradecimentos aos proprietários, os senhores Roberto Rodrigues e Walter Rodrigues Filho, que permitiram meu acesso ao acervo documental aí existente. ”

Como entender este momento significativo na história do país que recebeu mais africanos que qualquer outro e foi o último a abolir o cativeiro, é o que preocupa os historiadores há décadas.

Este livro, fruto de pesquisa meticulosa em documentos inéditos civis, eclesiásticos, judiciários, administrativos e políticos, nos revela as casas da zona Metalúrgica-Mantiqueira de Minas Gerais.

Especificamente, o município de Mariana.

Como a estrutura econômica da região, nas vésperas da abolição, afetou os libertos?

Quais foram os projetos de liberdade desenvolvidos pelos libertos e quais foram os limites que as elites nacionais e regionais tentaram impor?

Estudiosos do assunto, que buscam saber se a primeira geração dos libertos experimentou uma ruptura dramática com o passado no cativeiro, encontrarão, aqui, uma narrativa que vale a pena.”

Na sua visita a Mina ela afirma que extraiu riquíssimo material sobre o tema do livro.  

Autora: Denise Bittencourt

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